quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

...estranho é pouco

Toca o meu telefone. Uma colega de um trabalho anterior de Portugal. Perguntas para a frente para trás, coisas de circunstância, até que: 

"-Sabes, estava-te a ligar, para te dizer que estou em Inglaterra!"
"-Então, estás cá de férias?"
"-Não vim trabalhar, sabes como é... lá em Portugal não dava!"
"-Qual é a cidade onde estás?"
"-É pá não sei bem... vim de avião e uma amiga foi-me buscar... mas a minha filha não está a gostar..."
  
(Comecei a ficar confusa, seguiu-se mais conversa de circunstância, até que...)

"- Chegaste quando? Sabes que a adaptação ás vezes pode ser difícil mas vais ver que consegues."
"-Cheguei ontem... é pá mas não estou a aguentar, sabes não entendo nada do que me dizem e é tudo caro, e afinal não há assim tanto trabalho aqui!!"
"-Ás vezes para criar currículo tens de começar um pouco por baixo e depois vais conhecendo mais pessoas e consegues subir e assim treinas também a língua!"
"-Porra, para começar em baixo ficava em Portugal, não achas? Vim para ganhar dinheiro não vou ser escrava!"

Posto isto, resumi-me à minha insignificância. Mas, vou dar-vos um retrato desta pessoa: Trinta e poucos anos, não fala nem o mínimo de inglês, nunca estudou, nem sabe o nome da cidade onde se encontra no momento, e quer porque quer um emprego numa direcção de empresa ou então ser chefe de uma loja visto ter trabalhado durante anos como segunda responsável de uma loja em Portugal. Minha gente, deixo um conselho: quem quiser emigrar, primeiro que desça à terra! E não é que este telefonema me enervou?! 
 

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